A existência humana é marcada pelas fases... E como entender o processo de maturação da alma?
Na verdade é um processo cíclico, sempre nos trazendo de volta, em níveis de elevada maturidade, a cada vez que por ele passamos.
Semelhantemente, na natureza, são as estações anuais, sempre apresentando suas particularidades adaptadas à região onde ocorrem, contudo, nas características gerais, acontecem da mesma forma em qualquer lugar do mundo.
A natureza humana está em constante estado de modificação.
Vivemos dias de Primavera, em que nossas esperanças despontam.
Projetamos o futuro, renovamos as forças, esquecemos a solidão.
Somos capazes de produzir novos frutos, exalar bons perfumes, expandir as cores do nosso ser, saltar os rios que atravessam nosso caminho.
Permitimos que brotem folhas novas, que amadureçam os frutos esperados.
Somos capazes de recriar o que estava mortificado, de desabrochar novas flores.
Aprofundamos um pouco mais as raízes, sustentamos novos galhos. Elas sugarão da terra uma quantidade maior de nutrientes para mantê-los firmes.
Sentimos o sol irradiar a beleza de seus raios a cada novo amanhecer...
Os dias tornam-se mais longos, mais vibrantes e quando menos percebemos...O Verão aparece. Majestoso, esplêndido!
Com as folhas firmes e os frutos desenvolvidos, desejamos que sejam apreciados.
Esta estação revela o melhor que temos em nós. É nela que expandimos nossos horizontes, que vivemos intensamente.
Alcançamos o cume das montanhas, transpomos as mais longas distâncias, somos desafiados e vencemos sem medo, sem cansaço.
Realizamos sonhos e projetos, antes inatingíveis. O vigor se renova, dia a dia.
Os períodos de chuva são habituais, mas passageiros, não impedem que as estrelas reapareçam abrilhantando a noite, nem acinzentam o céu pela manhã, pois o sol brilha imponente!
Mas o tempo continua correndo e a vida vai se transformando... Vai se tornando mais instável, ora chuva, ora sol. O Outono vem chegando disfarçadamente.
Sua discreta aparição é denotada pelas gradativas mudanças. A coloração das folhas começa a mudar, o aspecto dos nossos sonhos passa a ficar um tanto embaçado.
Vamos percebendo que os frutos já são poucos, que as folhas estão caindo...
Somos desafiados a encarar noites cinzentas, de pouco esplendor.
As montanhas já estão quase inacessíveis, uma simples caminhada já causa fadiga.
O ar está menos úmido, o trabalho já não é satisfatório e produtivo.
Tendemos a alternar momentos de expansibilidade e introspecção.
Os dias parecem estar mais curtos e as noites cada vez mais longas e então... O Inverno surge. A predominância do frio e da chuva fina e constante nos afeta.
Todas as mudanças que passamos nos remetem à sensação de impermanência.
A necessidade de segurança e tranqüilidade é inerente ao homem.
O clima incerto, os dias sem perspectiva, a vontade de não ter vontade. O recolhimento dos desejos, a introspecção como dever, a solidão como companheira. Os quartos escuros que só abrem portas aos porões desabitados da alma. Tudo isso se torna perceptível nas noites de inverno e permanecem ali na solidão das gélidas manhãs.
Contudo, a maturação da alma está em acontecendo, buscando atingir novos patamares.
E já conseguimos sentir a brisa mais amena, as nuvens são cuidadosamente espalhadas. Percebemos a sutileza do verde que retorna às árvores, o canto suave dos pássaros, o ritmo marcante das águas.
Olhamos em volta, percebemos existir um novo horizonte...
Se refletirmos, descobriremos que estamos mais fortalecidos, que o tronco aumentou seu diâmetro, que as raízes estão mais profundas.
A esperança de dias de Primavera ressurge como os novos ramos. Deixamos para trás a frieza do Inverno, mas trazemos conosco as experiências dos momentos introspectivos, que nos fizeram enxergar o quanto somos frágeis, mas também o quanto podemos crescer em meio ao silêncio e reflexão.
É com um diâmetro maior no tronco de nossa alma e com raízes mais profundas fixadas na terra das emoções que iniciamos mais um ciclo da nossa existência, mais uma etapa desse grande projeto chamado Vida!
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